Cinco décadas depois do primeiro álbum, Djavan voltou às fitas de “A Voz, o Violão, a Música de Djavan” para uma edição que mexe no som sem reescrever a obra. O relançamento chega com remixagem, remasterização e duas faixas extras gravadas nas sessões de 1976.
A nova versão parte do material original e não de recriações feitas agora. O trabalho preserva a voz e o violão de Djavan no centro, mas abre espaço para ouvir com mais nitidez a banda que participou daquele início de trajetória.
Fitas do estúdio Level
As 12 faixas foram registradas no estúdio Level, em Botafogo, em fitas de duas polegadas. Max Viana editou o material, enquanto Alexandre Rabaço assumiu a remixagem e a masterização. A proposta foi recuperar timbres e detalhes que ficavam menos evidentes na mixagem original.
Nenhuma nota nova foi acrescentada. A edição trabalha somente com o que já havia sido gravado, decisão que preserva o caráter de documento das sessões. Entram em foco o violão de Djavan, a flauta de Altamiro Carrilho, o Rhodes de Edson Frederico, o baixo de Luizão Maia e a bateria de Paulo Braga.
A abertura conta uma história conhecida da música brasileira. “Flor-de-Lis” estreou no rádio em 1º de setembro de 1976 e ajudou a apresentar Djavan a um público maior. O arranjo já reunia a delicadeza harmônica e a condução rítmica que se tornariam marcas do compositor.

Foto: Cilo Roberto Bonaparte / Wikimedia Commons · Foto de arquivo (2009)
Djavan em apresentação registrada em 2009.
CC BY-SA 2.0. Exibição com enquadramento e redimensionamento; imagem sob a mesma licença.
Arquivo original: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Djavan_(5829588737).jpg
Licença: https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0
Extras saídos da sessão
“Maria das Mercedes” ganhou cerca de 20 segundos a mais na edição comemorativa. O trecho não é uma interpolação posterior: ele saiu da própria gravação de 1976 e permite ouvir uma passagem que ficou fora do corte lançado há 50 anos.
As outras novidades são “Muito Obrigado” e “Embola a Bola”, duas performances de voz e violão registradas no mesmo período. Em vez de criar uma lista bônus desconectada, elas mostram o compositor em uma escala mais íntima e ajudam a situar o álbum entre o trabalho de estúdio e a canção em estado inicial.
O início de uma trajetória
Antes do primeiro LP, Djavan havia deixado Maceió para tentar carreira no Rio de Janeiro, passando por boates e participações em programas de televisão. Em 1975, “Fato Consumado” ficou em segundo lugar no Festival Abertura e aproximou o artista do produtor Aloysio de Oliveira.
Aloysio produziu o disco de estreia e reuniu músicos que entendiam a combinação de samba, jazz, pop e violão proposta por Djavan. Hélio Delmiro, Luizão Maia, Paulo Braga e Edson Frederico formaram parte decisiva desse núcleo, que deu ao álbum uma sofisticação incomum para uma estreia.
O caminho aberto em 1976 continuou com “Djavan”, de 1978, e “Alumbramento”, de 1980. “Flor-de-Lis” também atravessou fronteiras quando Carmen McRae gravou a música em “Upside Down”, em 1982. A faixa saiu de uma sessão no Rio para um repertório que passou a circular fora do Brasil.
Disponível desde 4 de setembro, a edição de 50 anos reúne a nova mixagem, a remasterização e as duas faixas extraídas das sessões originais. O relançamento recoloca o disco de 1976 no catálogo digital preservando o núcleo instrumental e vocal registrado no estúdio Level.




