Criolo vai reencontrar o público com um disco inteiro no centro da conversa. A celebração de “Nó na Orelha”, lançado em 2011, ganhou quatro shows confirmados para 2027: Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e São Paulo. Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, responsáveis pela produção original, voltam como diretores artísticos.
O projeto de quinze anos começou a ser apresentado em setembro de 2026, no Coala Festival. As novas datas levam essa comemoração para o ano seguinte. A proposta anunciada é retomar o repertório preservando seus arranjos, detalhe que faz diferença em um álbum cuja personalidade também está na banda.
As quatro datas confirmadas
Belo Horizonte abre o roteiro em 10 de abril de 2027, na Arena Hall. Em seguida vêm Curitiba, no Cine Lido, em 23 de abril, e Porto Alegre, no Auditório Araújo Vianna, em 24 de abril. São Paulo recebe o espetáculo em 8 de maio, na Suhai Music Hall.
A Ticketmaster informa pré-venda em 16 de setembro de 2026, ao meio-dia, e venda geral online no dia 17, também ao meio-dia. Nas bilheterias oficiais, a abertura da venda geral está prevista para 13h. A realização é em parceria com a Live Nation Brasil; valores e condições devem ser conferidos para cada cidade.
Um álbum que cabe em muitas portas de entrada
Na edição de dez faixas disponível no Spotify, “Nó na Orelha” dura pouco menos de 39 minutos. “Bogotá” abre o percurso, “Subirusdoistiozin” aparece em seguida e “Não Existe Amor em SP” ocupa a terceira posição. O disco termina com “Linha de Frente”. Entre esses pontos estão “Mariô”, “Freguês da Meia Noite”, “Grajauex”, “Samba Sambei”, “Sucrilhos” e “Lion Man”.
Essa sequência é um bom jeito de se preparar para a turnê: ouvir o álbum na ordem, em vez de começar e terminar nos sucessos mais conhecidos. A comemoração convida a recuperar a relação entre as músicas e a perceber como cada faixa ocupa um espaço próprio dentro de um trabalho relativamente curto.
A ficha técnica ajuda a enxergar essa variedade. Em “Bogotá”, há vozes de Juçara Marçal e Verônica Ferriani, além de saxofones e trompete. “Mariô” traz Kiko Dinucci como parceiro de composição, com participação na voz e no violão. Em “Grajauex”, os scratches de DJ Marco e DJ Dan Dan dividem espaço com a programação eletrônica. São escolhas concretas de músicos e instrumentos, registradas no acervo Discografia Brasileira.

Foto: Diego Cavichiolli Carbone from São Paulo, Brasil
Criolo no Parque da Aclimação, em 2011, ano de lançamento de Nó na Orelha; foto de arquivo.
CC BY 2.0. Exibição com enquadramento e redimensionamento; imagem sob a mesma licença.
Arquivo original: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Criolo_(2011).jpg
Licença: https://creativecommons.org/licenses/by/2.0
Quando o disco chegou ao palco em 2011
O lançamento no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, já mostrava esse trânsito. Na cobertura publicada pelo UOL em 2 de junho de 2011, a apresentação da noite anterior começou com Criolo sozinho, recitando “Lantejoula”, antes da entrada da banda em “Mariô”. Ao longo do show, músicos como Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Regis Damasceno e Rodrigo Campos acompanharam o cantor.
A reportagem daquele momento descreve a passagem do público das cadeiras para as laterais do palco e destaca a participação da plateia em “Freguês da Meia-noite”. “Grajauex”, “Linha de Frente” e “Bogotá” apareceram perto do fim, antes do bis. É um registro de época que mostra como o repertório já ganhava outra dimensão diante das pessoas.
Revisitar esse começo também evita reduzir a história do álbum a uma única faixa. “Não Existe Amor em SP” abriu muitas portas, mas estava cercada por canções, instrumentistas e parceiros que ajudaram a construir a identidade daquele show. A volta de Ganjaman e Cabral mantém uma ligação direta com esse trabalho coletivo.

Foto: Adriano Escanhuela / Amigos da Arte
Criolo na celebração do Bicentenário da Independência, em 2022; foto de arquivo.
Public domain. Exibição com enquadramento e redimensionamento; imagem sob a mesma licença.
Arquivo original: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:2022-09-07_Bicenten%C3%A1rio_da_Independ%C3%AAncia_42.jpg
Licença: https://creativecommons.org/publicdomain/mark/1.0/
O que veio depois de “Nó na Orelha”
O reconhecimento de 2011 incluiu três vitórias no VMB: álbum, música para “Não Existe Amor em SP” e revelação. Criolo dividiu a interpretação da canção com Caetano Veloso na premiação. No ano seguinte, “Nó na Orelha” também recebeu o Prêmio da Música Brasileira na categoria de álbum pop.
A discografia seguiu adiante. Vieram “Convoque Seu Buda”, em 2014, e “Espiral de Ilusão”, em 2017. Em 2020, a parceria com Milton Nascimento no EP “Existe Amor” voltou a incluir “Não Existe Amor em SP”. Já em 2021, o disco de 2011 ganhou uma edição instrumental para marcar sua primeira década.
Esses caminhos dão ao reencontro de agora uma perspectiva interessante. Parte do público conheceu Criolo naquele lançamento; outra parte chegou depois, por discos e colaborações diferentes. A mesma sequência pode funcionar como memória para quem acompanhou 2011 e como descoberta para quem só ouviu as músicas isoladamente.
Para a agenda de 2027, o ponto de partida está definido: quatro cidades e um espetáculo dedicado a “Nó na Orelha”. Para a escuta de hoje, o convite é mais imediato. Reservar aqueles quarenta minutos, deixar o disco seguir e reencontrar o que existe entre uma faixa conhecida e a próxima.




